Segurança alimentar em tempos de crise

Em um país como o Brasil, marcado por desigualdades, a segurança alimentar deveria ser prioridade permanente. No entanto, crises econômicas, instabilidade política e desastres ambientais frequentemente colocam em risco o direito básico de acesso à alimentação. A pandemia de COVID-19 escancarou essa realidade, mas os desafios permanecem.

Segurança alimentar não se limita a evitar a fome. Significa garantir que todos tenham acesso regular a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e a preços justos. Isso envolve toda a cadeia: produção agrícola, logística de distribuição, políticas de subsídio e programas de transferência de renda.

Nos últimos anos, vimos avanços importantes, mas também retrocessos. Enquanto parte da população acessa produtos premium em supermercados sofisticados, outra depende de cestas básicas com baixa diversidade nutricional. Esse abismo é reflexo de falhas estruturais, que vão desde a concentração fundiária até a falta de investimento em agricultura familiar.

Crises climáticas agravam o cenário. Secas prolongadas, enchentes e desastres ambientais impactam diretamente a produção e encarecem alimentos. Sem planejamento, a população mais pobre paga o preço mais alto.

Garantir segurança alimentar em tempos de crise exige políticas públicas robustas: estoques reguladores, apoio técnico e financeiro à agricultura de base, programas de compra governamental e redes de assistência social articuladas. Mas também demanda participação da sociedade civil e do setor privado. Restaurantes, mercados e até condomínios podem implementar ações de combate ao desperdício e doação de excedentes.

A segurança alimentar é um indicador de civilização. Países que conseguem proteger o acesso à comida mesmo em momentos de crise mostram maturidade institucional e compromisso social. É por isso que, mais do que nunca, precisamos tratar o tema como prioridade estratégica.